Criptorquidia: conheça esse problema de saúde infantil

Criptorquidia: conheça esse problema de saúde infantil

Por: - Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
Publicado em 15/06/2018 - Atualizado 17/07/2019

O correto desenvolvimento dos bebês do sexo masculino durante a gestação permite que os testículos fiquem alojados dentro da bolsa testicular (saquinho). Contudo, quando um ou ambos os testículos não migram para a bolsa testicular até o nascimento, a criança nasce com uma condição denominada criptorquidia.

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O que é criptorquidia?

A criptorquidia ocorre quando os testículos não descem para a bolsa testicular e permanecem no abdome ou na parede abdominal (região inguinal) após o nascimento do bebê. Alguns casos, o testículo vai para lugar fora do trajeto que deveria seguir, sendo chamado de testículo ectópico A condição é causada por problemas no desenvolvimento da fase fetal, fazendo com que os testículos, que são formados dentro do abdômen durante a fase intra-uterina, não consigam migrar para a bolsa escrotal.

A condição afeta cerca de 4% das crianças nascidas no tempo correto e até 45% dos bebês que nascem prematuramente. Como é um problema relativamente comum, é importante que o bebê passe por um exame físico logo após o nascimento para verificar se os testículos estão no local correto.

A criptorquia pode atingir apenas um ou os dois testículos. Nos casos em que somente um deles é afetado, a condição é classificada como sendo unilateral. Já nos meninos em que os dois testículos “não desceram”, o criptorquia é considerado bilateral.

Fatores de risco

As causas da criptorquidia ainda não estão totalmente esclarecidas, mas sabe-se que têm relação com fatores genéticos e fatores ambientais que ocorrem durante a gravidez, sendo que os principais são:

  • nascimento prematuro;
  • baixo peso do bebê;
  • histórico familiar de criptorquidia;
  • problemas hormonais;
  • malformações do feto;
  • tabagismo e ingestão de bebidas alcoólicas pela mãe durante a gravidez.

Assim, deve-se estar atendo e, felizmente, a condição tem tratamento, que deve ser realizado após avaliação cuidadosa do bebê.  

Tratamento

Só é possível afirmar que os testículos fora do local correto realmente necessitarão de intervenção após a criança completar três – quatro meses de vida. Isso porque em muitos casos, os testículos migram para a bolsa escrotal naturalmente nos primeiros meses de vida.

Dessa forma, é necessário aguardar esse período para confirmar o diagnóstico, já que esse é o tempo necessário para observar se não há uma descida espontânea dos testículos para a bolsa testicular.

Se os testículos permanecem fora da bolsa testicular após esse período, é preciso tratar o problema cirurgicamente. O mais indicado é que a cirurgia seja realizada logo após a criança completar seis meses, podendo ser indicada a partir de 3 meses nos casos em que o testículo não é palpável, ou um pouco antes de o menino comemorar os dois anos de vida (havendo tendência de redução da idade para 1 ano nos últimos artigos médicos). Na avaliação de cada caso, o  urologista pediátrico explicará aos pais qual o momento mais adequado para realizar o procedimento.

Dependendo do caso, pode ser feita uma cirurgia videolaparoscópica, na qual se usa uma câmera para avaliar a cavidade abdominal e realizar o procedimento. Na cirurgia aberta, o corte é feito na região inguinal e na bolsa testicular.

Essa cirurgia é conhecida, no meio médico, como orquidopexia. Ela pode ser feita tanto para a criptorquidia unilateral , quanto nos casos de criptorquidia bilateral, em que os dois testículos conservam-se no interior do abdômen ou na região inguinal.

O procedimento é  seguro e, na maioria dos  casos, a criança pode voltar para casa no mesmo dia.

Porque a criptorquidia precisa ser corrigida?

A correção da criptorquidia é fundamental para preservar a fertilidade do menino que nasceu com os testículos fora da bolsa testicular, já que é nos testículos que são produzidos os espermatozoides.

Enquanto permanecem na cavidade abdominal, local onde se desenvolvem no período de gestação, os testículos são inaptos para desempenhar suas funções. Como a temperatura dos testículos (35,5ºC) é diferente da temperatura corporal (36,5º – 37ºC), as condições para a produção de gametas são bem diferentes das necessárias para que isso ocorra. Ou seja, para sobreviver, os gametas masculinos não podem permanecer em um ambiente que seja mais quente do que o do órgão, por menor que pareça ser essa diferença.

Mas não é só a possibilidade de infertilidade que preocupa os pais, as mães e os médicos de meninos com criptorquidia. A permanência dos testículos no abdômen também pode colaborar para o surgimento de tumores malignos.

É por isso que os pais precisam ponderar com o médico que acompanha o caso do seu filho, sobre a possibilidade de submetê-lo a uma cirurgia. Apesar do receio natural em submeter a criança a um procedimento anestésico e cirúrgico,  o risco de haver complicações é menor do que o risco de se nada for feito.

Os meninos que são submetidos à orquidopexia, no início da infância, tendem a levar uma vida normal após a cirurgia, devendo realizar consultas regulares com um médico para acompanhamento.

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Material escrito por:
Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
Publicado em 15/06/2018 - Atualizado 17/07/2019

Formada em medicina na Universidade Federal de Santa Catarina. Residência médica em cirurgia geral no...  Ver Lattes

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