Doenças urológicas são genéticas?

Doenças urológicas são genéticas?

Por: - Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
Publicado em 03/09/2019

As doenças urológicas não possuem apenas relação com hábitos comportamentais ou fatores ambientais. Em alguns casos, a criança nasce ou desenvolve o problema devido a fatores genéticos herdados dos pais, ou seja, o histórico familiar pode exercer influência para determinar se o bebê terá algum tipo de alteração no funcionamento do trato urinário ou do órgão genital. 

Em caso de histórico familiar de doenças ou complicações no sistema urológico, os pais devem ficar ainda mais atentos com a saúde da criança, uma vez que ela pode apresentar riscos maiores de desenvolver alguma complicação. É por isso que observar os primeiros sintomas pode fazer toda a diferença para o correto desenvolvimento da criança ao longo da infância. 

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Quais doenças urológicas são genéticas?

O DNA de uma criança pode carregar uma sequência genética responsável por causar doenças no sistema urológico que também afetaram os pais durante a infância. 

Confira as principais doenças urológicas que podem ser influenciadas por fatores genéticos!

Enurese noturna

A enurese noturna é um distúrbio multifatorial e complexo que ocorre quando a criança não possui controle sobre os esfíncteres e acaba fazendo xixi na cama durante a noite. O problema é bastante comum até os 5 anos de idade, uma vez que o controle miccional não está completamente desenvolvido. Contudo, após esse período é preciso investigar a situação com mais profundidade.

Uma das possíveis causas para a enurese noturna é a herança genética transmitida de um ou de ambos os pais. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), se um dos pais tiver apresentado enurese na infância, os riscos de que o filho apresente o quadro é de 40% a 45%. Esta porcentagem sobe para 75% a 80% quando os dois pais passaram pelo problema.

Hipospádia

A hipospádia é uma anormalidade no pênis que impede os garotos de urinarem normalmente. O problema ocorre devido a uma abertura anormal da uretra, que faz com que a urina saia pelo lugar incorreto. Quanto mais a abertura da uretra se desenvolver próximo ao períneo, mais grave para o pênis se torna a hipospádia.

As causas da hipospádia ainda não são completamente conhecidas, mas sabe-se que anomalias dos cromossomos sexuais e genes anormais ou ausentes podem ser responsáveis pelo problema. O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado entre os 6 e 24 meses de vida.

Refluxo vesicoureteral

Consiste em um refluxo anormal de urina da bexiga, que ocorre quando a válvula anatômica, presente nos ureteres, não funciona corretamente, fazendo com que a urina volte para os rins. Como o refluxo da urina favorece o transporte de bactérias para os ureteres e rins, o refluxo vesicoureteral é responsável por grande parte dos casos de infecções urinárias.

Dentre as causas do problema, o histórico familiar aumenta a chance de que a criança desenvolva o problema. O tratamento para a doença pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo de cada caso.

Criptorquidia

A criptorquidia ocorre quando o testículo não está, ou não fica a maior parte do tempo, no escroto, podendo atingir apenas um ou os dois testículos. Nos casos em que somente um deles é afetado, a condição é classificada como sendo unilateral. Já nos meninos em que os dois testículos “não desceram”, o criptorquidismo é considerado bilateral. 

Apesar de as causas ainda não serem completamente conhecidas, o histórico de familiar de criptorquidia ou de problemas no desenvolvimento genital são fatores de risco que aumentam as chances de que a criança desenvolva esta condição. O tratamento é realizado cirurgicamente. 

A criança terá o mesmo problema que os pais?

É importante frisar que, apesar de ter uma chance maior, a influência de fatores genéticos não significa que a criança realmente terá o mesmo problema que os pais. Isto é, se o DNA não apresentar os mesmos genes causadores de uma determinada doença urológica nos pais, a criança não desenvolverá o problema – ao menos por origem genética.

Ainda, problemas como a enurese noturna podem ser evitadas com medidas comportamentais que ajudam a criança a desenvolver o total controle dos esfíncteres. Nos outros casos, é importante realizar um diagnóstico precoce para aumentar as chances de que o tratamento seja realmente eficaz. 

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Material escrito por:
Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
Publicado em 03/09/2019

Formada em medicina na Universidade Federal de Santa Catarina. Residência médica em cirurgia geral no...  Ver Lattes

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