Fimose infantil: é preciso tratar?

Fimose infantil: é preciso tratar?

Por: - Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
Publicado em 15/06/2018 - Atualizado 07/02/2019

Será que a fimose infantil deve ser uma preocupação para os pais? Já vou responder diretamente: não, necessariamente. Para entender por que essa é a resposta que tenho para você, veja as explicações que dou a seguir.

Para começar, quero esclarecer uma questão relacionada à anatomia. Muitos pais pensam que o problema é a pele que há em volta da glande (cabeça) do pênis. Na verdade, essa pele chama-se prepúcio. O que caracteriza a fimose é o estreitamento da prega que envolve a glande, que forma uma espécie de barreira e impede sua passagem.

Sem o espaço necessário de que o órgão precisa para realizar suas funções, a área fica suscetível à falta de higiene, ao acúmulo de secreções e à infecções. Isso pode acontecer porque a higienização do pênis do menino que tem fimose é mais difícil de ser feita, as secreções naturais da glande ficam com o escape limitado e pode ocorrer o aumento do número de bactérias que se proliferam no órgão genital. Existe, ainda, a possibilidade de a criança desenvolver uma infecção urinária e, dependendo do caso, enfrentar dificuldades nas relações sexuais, futuramente.

Quando a fimose infantil é diagnosticada?

A fimose é definida como a não visualização da glande em virtude da incapacidade de retração do prepúcio. Durante o desenvolvimento dessa prega cutânea (que ocorre entre o terceiro e o quinto mês de gestação), seu epitélio interno funde-se ao epitélio glandar, de maneira que a separação entre eles é caracteristicamente incompleta ao nascimento, mesmo com o processo de separação sendo iniciado dentro do útero. Assim, somente 4% dos recém-nascidos masculinos apresentam retração completa do prepúcio; aos 6 meses, 20%; ao redor do quinto ano de vida, 90%, havendo uma minoria de meninos com prepúcio não-retrátil na maioridade.

Portanto, a fimose é fisiológica até certa idade, tendendo a resolver-se espontaneamente. Cuidados com a higiene do menino devem ser tomadas, encorajando-se os pais a secar o pênis da criança durante a troca de fralda ou micções e lavar durante o banho, para a prevenção de episódios de balanopostite (inflamação superficial ou infecção da glande ou prepúcio) que pode determinar o surgimento de um anel fibrótico e precisar de tratamento cirúrgico. Traumas prepuciais, com “massagens” e retrações forçadas, devem ser evitados, pois tendem a piorar as aderências entre o prepúcio e a glande,  e podem gerar o mesmo tipo de problema.

O tratamento cirúrgico da fimose é desnecessário em baixas idades, cabendo, sim, medidas profiláticas (higiene local, secagem da urina residual e evitar o trauma).  Posteriormente, próximo aos cinco anos de idade, as fimoses sem anel fibrótico podem ser revertidas com o uso de medicação tópica. Reserva-se a postectomia para os casos de falha terapêutica, presença de anel fibrótico e prepúcio completamente fechado. A indicação de postectomia deve ser considerada nas crianças portadoras de malformação do trato urinário e mediante quadros de infecção urinária de repetição.

Assim, parte dos meninos precisam ser submetidos a um procedimento cirúrgico para eliminar a fimose. Para a outra parcela, o uso de um medicamento tópico é o suficiente para cuidar do problema. Atualmente, existem pomadas que o médico pode prescrever para serem usadas na região da glande. Elas agem no local, afinando a pele e deixando-a mais macia. Essa alteração expande o tecido e melhora a passagem da glande. Com isso, a possibilidade de a criança ter de fazer uma cirurgia pode ser até descartada.

Os pais podem controlar a evolução da fimose infantil, mas não devem tomar a decisão sobre se é preciso, ou não, tratá-la sem antes conversar com um médico. O pediatra da criança pode orientar quanto ao que é mais adequado a fazer ou o cirurgião urológico pediátrico que, provavelmente, é quem fará a cirurgia, caso ela seja necessária.

Lembrando que nenhuma criança deve ser automedicada e que nenhuma solução caseira deve ser aplicada. O uso do remédio incorreto e de técnicas que não possuem comprovação científica é um risco para a saúde da criança. Portanto, vou reforçar, consulte, sempre, o pediatra do seu filho sobre a fimose e sane todas as suas dúvidas com ele ou outro médico que seja preciso contactar.

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Material escrito por:
Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
Publicado em 15/06/2018 - Atualizado 07/02/2019

Formada em medicina na Universidade Federal de Santa Catarina. Residência médica em cirurgia geral no...  Ver Lattes

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