Quais são as anormalidades congênitas do trato urinário?

Quais são as anormalidades congênitas do trato urinário?

Por: - Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
Publicado em 12/06/2019 - Atualizado 18/06/2019

Chamamos de anormalidades congênitas do trato urinário todas as doenças que se desenvolvem no sistema urinário durante o período embrionário. Os problemas podem ter origem genética, infecciosa ou, ainda, ocorrer devido a fatores ambientais, causando malformações nos órgãos do feto.

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Defeitos congênitos no trato urinário do embrião podem afetar a produção de urina, fazendo com que pouca ou nenhuma quantidade seja produzida. Como a urina faz parte do líquido amniótico, substância fundamental para o desenvolvimento do bebê, a falta dela pode reduzir a quantidade do líquido amniótico, resultando em possíveis complicações na formação do coração, face, pulmões e membros do feto.

Em bebês e crianças, as anormalidades do trato urinário podem bloquear ou retardar o fluxo da urina e causar refluxo urinário, quando a urina não consegue descer para a bexiga e retorna para os rins. Com o passar do tempo, o problema pode causar infecção do trato urinário, hipertensão arterial, cálculos renais e até mesmo insuficiência renal.

Principais anormalidades congênitas do trato urinário

As anormalidades congênitas podem acometer todos os órgãos do corpo, mas são mais comuns no trato urinário do que em qualquer outro sistema do organismo. Conheça as principais anormalidades congênitas que atingem o trato urinário!

Hipospádia

A hipospádia é uma anormalidade, que acomete os meninos, caracterizada por uma alteração na formação do canal da uretra, levando a uma abertura do orifício uretral numa posição bem diferente da habitual – que se localizaria normalmente na ponta da glande (cabeça) do pênis. Assim, essa abertura acometida poderá ocorrer desde o períneo até a parte de baixo da glande. O problema pode vir acompanhado de curvatura peniana e excesso de pele.

A hipospádia pode ser facilmente detectada pelo médico no exame do físico realizado logo após o nascimento do bebê. O tratamento é cirúrgico e o ideal é que a operação de correção da hipospádia seja feito entre os seis e os 18 meses de vida do bebê. A cirurgia corrige a posição da uretra e a curvatura do pênis, permitindo que o bebê urine normalmente.

Estenose de JUP

A estenose de JUP acontece quando há um estreitamento na junção da pelve renal que liga o rim à bexiga, levando a uma dilatação renal ou hidronefrose, com prejuízo na função do rim acometido, já que a urina produzida no órgão não consegue chegar ou chega de forma lenta na bexiga.

Através de um exame de ultrassom é possível detectar a presença de acúmulo de urina no rim, o que sugere que o feto apresenta a doença. Em alguns casos, realizar acompanhamento clínico pode ser suficiente, mas em casos mais graves é necessário uma intervenção cirúrgica para correção do problema.

Hérnia inguinal e hidrocele

Esses problemas possuem o mesmo defeito congênito: o não fechamento do canal inguinal, responsável por fazer o ligamento entre o abdome e a bolsa escrotal. Quando este canal permanece aberto após o último mês de gestação, ocorre acúmulo do líquido da cavidade abdominal no escroto, caracterizando a hidrocele. Se o canal for muito largo, pode ocorrer a penetração de uma alça intestinal ou outra estrutura intra-abdominal, resultando na hérnia inguinal.

O principal sintoma é o aumento indolor da bolsa escrotal, sem causar grandes complicações na vida da criança. É necessário a realização para correção da cirurgia de hérnia inguinal.

Megaureter

Corresponde a um aumento do diâmetro do ureter (acima de 7 milímetros) canal que comunica o rim à bexiga urinária e que  transporta a urina. Esse problema pode ser causado pela obstrução da transição do ureter com a bexiga urinária ou em virtude de um refluxo vésico ureteral.

O megaureter pode ser diagnosticado por meio de ultrassom no período pré-natal. Após o nascimento, um novo exame deve ser realizado no bebê para acompanhar o quadro da doença. Essa anormalidade congênita do trato urinário também pode necessitar de tratamento cirúrgico.

Refluxo vesicoureteral

Consiste em um refluxo anormal de urina da bexiga, que ocorre quando a válvula anatômica, presente nos ureteres, não funciona corretamente, fazendo com que a urina volte para os rins.

Como o refluxo da urina favorece o transporte de bactérias para os ureteres e rins, o refluxo vesicoureteral é responsável por grande parte dos casos de infecções urinárias. O tratamento para a doença pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo de cada caso.

Válvula de uretra posterior

É uma válvula na parte da uretra que está mais próxima à bexiga e que leva à dificuldade na micção desde o período fetal, ocasionando problemas no funcionamento da bexiga que podem comprometer todo o trato urinário. É uma doença séria que necessita diagnóstico e tratamento cirúrgico precoces.

Bexiga neurogênica

A bexiga neurogênica consiste em disfunções vésico-esfincterianas que acometem portadores de doenças do sistema nervoso central ou periférico. Caracterizada pela incapacidade de controlar o ato de urinar, a doença pode tornar a bexiga hiperativa, quando há perda involuntária de urina, ou hipoativa, quando a bexiga não é capaz de eliminar a urina.

O principal meio de diagnosticar a bexiga neurogênica é analisar o histórico clínico do paciente e realizar um exame físico detalhado. O tratamento inicial consiste no cateterismo intermitente limpo, responsável por sondar a bexiga, com determinada frequência ao dia, esvaziando a mesma e evitando que a urina permaneça por muito tempo armazenada.

Criptorquidia

O natural é que todo bebê do sexo masculino nasça com os testículos dentro da bolsa testicular, entretanto, isso pode não ocorrer, podendo os testículos serem palpáveis em outra localização ou impalpáveis, caracterizando a criptorquidia.

O problema deve ser corrigido cirurgicamente quando os testículos permanecem fora da bolsa escrotal. Na avaliação do caso, o cirurgião pediátrico sugere aos pais qual considera ser o momento mais adequado para realizar o procedimento.

Extrofia de bexiga

É uma malformação congênita rara em que a bexiga não se fecha completamente, ficando aberta na parede abdominal, havendo, ainda, problema na formação da uretra e do genital.

O diagnóstico pré-natal pode ser realizado pela ultrassonografia e o problema é corrigido cirurgicamente após o nascimento do bebê.

Síndrome Prune Belly

Essa síndrome corresponde à hipoplasia ou aplasia dos músculos da parede abdominal, criptorquia bilateral (nos meninos), juntamente com alteração no trato urinário, como, por exemplo, a bexiga de grande volume, dilatação do ureter, estenose de JUP, refluxo vesicoureteral entre outros.

É uma condição bastante rara e pode ser detectada pela presença de músculos abdominais deficientes, causando enrugamento da pele do bebê que pode ser observada logo após o nascimento.O tratamento é clínico e cirúrgico.

A importância do urologista pediátrico

As anormalidades congênitas do trato urinário podem afetar a vida da criança logo nos primeiros meses após o nascimento e causar complicações mais graves conforme o passar do tempo. Por isso, caso o diagnóstico seja positivo para alguma das doenças acima, é fundamental buscar ajuda de um pediatra que vai verificar a necessidade de avaliação de um cirurgião ou um urologista pediátrico, capaz de indicar o melhor tratamento e garantir que a criança tenha uma vida normal.

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Material escrito por:
Cirurgia Pediátrica - SC 9020 RQE 6364
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Formada em medicina na Universidade Federal de Santa Catarina. Residência médica em cirurgia geral no...  Ver Lattes

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